terça-feira, 11 de novembro de 2008

Run For Life faz vencedores no Estadual de Veteranos




No último final de semana aconteceu o Campeonato Estadual de Atletismo Vetereno no Complexo Esportivo do Ginásio do Ibirapuera em que participaram atletas de várias idades vindos dos quatro cantos do Estado de São Paulo. O Campeonato foi administrado pela Federação Paulista de Atletismo. Da Run For Life participaram e venceram suas provas Mitiko Nakatami, Valdomiro Cocato (Dodô) e Ana Luiza Garcez (Animal).

Dona Mitiko simplesmente venceu em sua categoria as quatro provas em que participou com tempos excelentes. Ela que tem 78 anos, participa na categoria acima dos 75 anos.

Na prova de revezamento 4 x 400, sua equipe concluiu com o tempo de 8min35seg56milésimos.
No revezamento 4 x 100, sua equipe venceu com o tempo de 1min38seg24milésimos.

"Foi uma experiência interessante. Nunca tinha feito revezamento. Sempre corri sozinha. Foi divertido", disse essa senhora que aos 78 anos se empolga a cada nova conquista.

Dona Mitiko ganhou as provas dos 10.000 metros e dos 5.000 metros com os tempos respectivos de 1h02min58seg e 41min35min59milésimos. E o que torna mais difícil essas conquistas em primeiro lugar foi o sol e calor do final de semana que estava quente e abafado.

Mulher-competição
Ana Luiza Garcez, conhecida pela comunidade de corredores como "animal" fez juz ao apelido no final de semana ao participar de nada menos que 5 competições.
Veja os resultados:
10.000 metros: 43min19seg (vencedora)
5.000 metros: 20min18seg (vencedora)
1.500 metros: 5min42seg (vencedora)
800 metros: 2min44seg (vencedora)
Revezamento 4 x100m: 1m12seg13mil. (segunda colocada)

"A gente entrava numa prova, terminava. Não dava nem tempo de respirar e já entrávamos em outra", disse Ana na segunda-feira, após a competição.

Dodô
O experiente atleta Valdomiro Cocato (Dodô) competiu com parcimônia em apenas duas provas. Venceu a que ele é especialista, os 10 mil metros e finalizou em segundo a outra.
10.000 metros: 45min20seg (vencedor)
5.000 metros: 21min45seg (segundo colocado)
Arnaldo de Sousa, jornalista e corredor

50 dias. 500 quilômetros. 25 mil calorias!




Faltam apenas 50 dias para o término do ano de 2008.
Se você correr 10 quilômetros por dia até o dia 31 de dezembro, terá percorrido 500 quilômetros.

Cada hora corrida, em média são consumidas 500 calorias, portanto você poderá queimar 25 mil calorias. E, começar 2009 – bem leve!

Quando traçamos objetivos, tudo fica mais fácil. Nada é motivo de desculpa, como a famosa preguiça do início de semana.

Sabendo aonde quer chegar, já terá percorrido metade do caminho. As qualidades mais importantes para o corredor são a disciplina e a persistência nos treinos de rodagem em ritmo bem lento.

O filósofo grego Aristóteles (384 a.C. - 323 a.C.) escreveu: - "Tudo isso demanda perseverança. Paciência. Suor. Muito suor. A virtude é uma arte obtida com o treinamento e o hábito". "Nós somos aquilo que fazemos repetidas vezes. A virtude, então, não é um ato, mas um hábito. Treinar. Perseverar".

6h23 da manhã. Décimo primeiro dia de novembro de 2008. Hoje percorremos 15 quilômetros pelo gramado do Parque do Ibirapuera em São Paulo. Somados dá 3.493 quilômetros nos trezentos e dezesseis dias do ano. Chegamos aos 75.558 quilômetros rodados desde 1966 quando iniciei na prática do atletismo.

A média subiu para 11,1 quilômetros por dia. Uma volta ao redor da Terra tem 39.840 quilômetros pela linha do Equador.

Wanderlei de Oliveira
Na foto: Cena do filme "O professor aloprado" com Eddie Murphy

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Patinhar à beira-mar




Correr é sempre bom. A beira-mar é ainda melhor!

Sol. Primavera. Pessoas alegres. São combinações perfeitas para uma belíssima manhã no Guarujá, litoral de São Paulo.

Ao chegar no pedágio da rodovia dos Imigrantes, uma revista exposta na cabine me chamou a atenção. Na revista Ecovias, cujo título era “corrida para o verão” encontrei uma matéria assinada pela jornalista Cynara Escobar na qual ela consultou vários profissionais alertando para os riscos de problemas de saúde provocados pela malhação sazonal. Assim como os atletas de final de semana, são as pessoas que procuram as academias de ginástica nos meses que antecedem o verão na esperança de entrar em forma. Queimar os quilos extras adquiridos após longo período longe da malhação, com bem retratou Escobar.

Os problemas surgem quando exercícios em excesso e regimes improvisados entram na disputa contra o tempo e a balança, provocando lesões e riscos à saúde. Segundo Paulo Roberto Correia, ex-atleta olímpico dos 100 metros e fisiologista do Esporte da Universidade Federal de São Paulo, “isso ocorre porque, em geral, as pessoas são acomodadas e buscam o exercício mais pela estética do que pela boa saúde. Elas se esquecem de que é preciso passar por uma fase preparatória para que o corpo se adapte às novas atividades”. “Os exercícios sazonais e a alimentação inadequada podem ocasionar contusões, problemas nas articulações e maus súbitos após o treino”, enfatizou Correia.

A expressão “patinhar à beira-mar” era usada pelo professor Mário Moniz Pereira, técnico do Sporting Club de Lisboa em 1987 quando levava a equipe de atletas para treinar na Praia de Carcavelos próximo a Lisboa, Portugal. Entre eles estavam o recordista mundial dos 10.000 metros em pista Fernando Mamede (27min13) e os irmãos Castros (Domingos e Dionísio) que começavam a despontar como grandes corredores de longa distância.

A Patrícia Vismara e eu fizemos os mesmo. Corremos na praia da Enseada, Pitangueira e Astúrias, próximo d´água, onde a areia é mais firme, que facilita o deslocamento. O percurso é plano. Diferente de muitas praias de tombo (inclinadas), o que é ruim para tornozelos, bacia, coluna. Se isso não for possível evitar, o melhor é ir e voltar na mesma praia para compensar o equilíbrio e alinhamento do corpo.

Praticar o cross-send é uma ótima pedida para melhorar o condicionamento físico e relaxar em contato com a natureza.

Wanderlei de Oliveira

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Marilson: "Não existe um bom resultado sem treino. Não existe milagre nesse tipo de atividade que faço"



Após conquistar o bicampeonato da Maratona de Nova York, Marílson Gomes dos Santos conta com detalhes sobre a sua estratégia na prova e como conseguiu arrancar no último quilômetro, ultrapassar o marroquino Abderrahim Goumri e vencer a prova com 2h08min43s.

O atleta patrocinado pela Nike diz que treinou muito para alcançar seu objetivo e conquistar o reconhecimento mundial na prova. “Ninguém ganha uma maratona por sorte ou acaso uma vez. Imagina duas”, afirma Marílson.

Veja entrevista exclusiva que Marilson Gomes dos Santos concedeu em Nova York à jornalista e corredora Fernanda Paradizo.
Fernanda Paradizo - O que representa vencer pela segunda vez em Nova York? Qual a diferença em relação a 2006, quando venceu pela primeira vez?
Marilson Gomes dos Santos - Na primeira vez, não tinha noção do que isso significava. Não tinha noção do quanto essa vitória ia alavancar minha carreira. Dessa vez foi diferente. Eu já estava ciente disso. E eu queria muito vencer novamente aqui. Queira muito poder provar que não que não era um azarão. Não venci a primeira vez por sorte, como muitos pensaram. Com a segunda vitória, pude provar que tenho capacidade para fazer uma boa maratona e vencer uma prova grande como esta. Ninguém ganha uma maratona por sorte ou acaso uma vez. Imagina duas. Meu objetivo era esse. Vencer novamente, ser reconhecido pelo meu trabalho, pelos meus treinos e pelo o que venho fazendo ao longo da minha carreira.

Você direcionou todo seu foco de 2008 para a maratona dos Jogos Olímpicos, mas as coisas não saíram como esperava. Como buscar motivação novamente para em tão curto espaço de treino voltar bem, em condições de lutar por um título tão importante com a Maratona de Nova York?
Quem corre maratona sabe que nem todo dia é um dia bom para o maratonista. Às vezes você treina, faz tudo certinho e as coisas dão errado, como aconteceu em Pequim. É preciso se acostumar com isso. Nem sempre tudo acontece da forma como você imagina. Claro que eu queria ter corrido bem nas Olimpíadas. Eu não parei na maratona olímpica por causa da colocação. Parei porque não tinha condições físicas de terminar a prova. Não acho que ganharia a prova, porque foi muito rápida, fora das minhas características, mas acredito que conseguiria uma boa colocação se tivesse num bom dia. Mas, se não acertei numa oportunidade, por que não posso tentar de novo? É disso que tiro minha motivação. Procurei focar numa outra prova e tentar novamente. Claro que a vitória em Nova York não substitui um resultado que poderia ter conseguido em Pequim. Imagino que vou lamentar isso por alguns anos ainda. Mas estou muito feliz por vencer novamente. É uma prova difícil e bem concorrida e ganhar p ela segunda vez é um feito extraordinário.
Como foi sua trajetória pós-Olimpíadas e quando decidiu que faria Nova York?
Eu já tinha o convite dos organizadores, mas só resolvi que faria duas semanas depois de Pequim. O Adauto me convenceu, até porque eu tinha feito uma preparação muito boa para os Jogos e achamos que era possível aproveitar um pouco dessa preparação, treinando em menos espaço de tempo que normalmente treino e ainda assim chegar bem para fazer a prova. Descansei duas semanas depois da maratona olímpica e retornei aos treinos já visando Nova York. Fiquei ainda duas semanas treinando em Campos do Jordão para ficar um pouco afastado da cidade de São Paulo, onde clima estava variando demais e teria que me deslocar muito para treinar. Campos é uma cidade mais pacata, as coisas são mais perto uma da outra. Fiquei mais lá pela tranqüilidade da cidade mesmo e consegui fazer ali excelentes treinos, sempre muito bem focado no meu objetivo. Fazia alguns treinos em altitude e descia a serra para fazer em Taubaté os treinos de pista. Foi muito bom. Fui para o Mundial de Meia maratona, no Rio de Janeiro, com pouco tempo de treino e mesmo assim considero que fiz ali uma excelente prova. Isso me animou. Foi bom encaixar uma meia maratona bem. A partir dali, comecei a pensar mais alto e acreditar que poderia chegar bem em Nova York. Em relação à rotina de treino, não mudei nada do que fiz para as Olimpíadas. Fiz o mesmo treino, mas apenas em menos espaço de tempo.

Você está aqui na entrega da premiação da World Marathon Majors e acabou de assistir a um filme destes dois anos do circuito. Você se viu ali no filme, vencendo em Nova York em 2006. Como você se sente fazendo parte dessa história ao lado de nomes tão consagrados no atletismo? O que lhe vem à cabeça quando você se vê ali?
Quando comecei a correr 42 km era na verdade isso que eu buscava. Deixei de correr algumas provas no Brasil porque queria correr maratona e estar entre os melhores corredores do mundo. Estou conseguindo fazer parte dessa história e para mim isso é muito importante. Quando eu vejo um filme desses, sinto a sensação de dever cumprido e que eu posso chegar ainda mais longe. Não sei aonde eu posso chegar. Não sei até quando, mas vou batalhar para estar sempre entre os melhores.


Você tem evoluído bastante nestes últimos anos e o resultado em Nova York, com um tempo apenas 5 segundos acima da sua melhor marca, comprova isso, ainda mais porque sabemos que a Maratona de Nova York é uma prova mais difícil em relação a percurso. Conseguir um resultado tão bom em termos de tempo numa prova como esta lhe dá confiança para mostrar que pode ir mais longe?
Corria em Nova York (2h08min43s) minha segunda melhor marca, apenas cinco segundos mais lento. Foi muito próximo do meu melhor, que fiz em Londres no ano passado (2h08min38s). Isso mostra que eu tenho condições de correr muito mais rápido num percurso favorável. Saio dessa prova com a sensação de que minha real marca em tempo ainda está por vir. Eu posso correr muito abaixo disso.

Ao que você credita seu sucesso?
Ao treino. Não existe um bom resultado sem treino. Não existe milagre nesse tipo de atividade que faço. Se você não treina bem não tem como conseguir sucesso. O treino é 80% do atleta que quer melhorar o resultado. Claro que temos que contar um pouco com a sorte para estar bem no dia, mas só ela não basta. É preciso treinar muito e batalhar para chegar bem e ter condições de enfrentar os 42 km.

De onde vem a confiança para saber que você está bem para encarar uma prova como Nova York, por exemplo? Quais seus indicativos?
Os treinos são os principais indicativos. Embora eu tenha tido pouco tempo para me preparar para Nova York, isso até em função dos Jogos e da Meia do Rio, os treinos estavam muito semelhantes, com uma resposta muito parecida do que vinha fazendo em 2006, principalmente na parte final da preparação. É isso que me dá confiança. Cada treino que eu faço e percebo que melhoro, vou comparando com o que já fiz em situações similares, em certas competições e chego à conclusão de que posso correr bem. São os treinos que me dão, por exemplo, a confiança de, numa coletiva de imprensa, dizer que estou bem e vou correr com o objetivo de ganhar.

Na coletiva de imprensa você disse que era difícil montar uma estratégia para a prova, porque todos os atletas se conheciam muito bem. Muito dificilmente ninguém ia deixá-lo escapar na Primeira Avenida, como aconteceu em 2006. Você disse que sua estratégia era se manter no pelotão da frente e também não deixar ninguém escapar. Como foi sua prova?
A estratégia foi me manter na frente toda com o grupo, não deixar ninguém escapar. No momento que o marroquino quis escapar, fui junto. Foi aí que abrimos uma certa vantagem do segundo grupo. Até a passagem da meia maratona estava um bolo de atletas, todos juntos. A prova passou a marca da meia num ritmo mais lento do que em 2006, porque estava ventando contra e fez muito frio o tempo todo. A partir do quilômetro 25, na entrada da Primeira Avenida (depois da milha 16), houve algumas tentativas de fugas. Depois de alguns ataques, pouco a pouco o grupo foi se desmanchando. Perto do quilômetro 35, só restaram eu e o marroquino, que nos alternamos na liderança. Tentei escapar primeiro. Por volta do 37 km (milha 23), ele conseguiu escapar e abriu cerca de 7 segundos, mas não me abati. Tentei alcançá-lo o tempo todo e consegui buscá-lo no último quilômetro.

Quando o marroquino abriu, o que veio à sua cabeça? Achava que podia ainda buscar? Quando percebeu que dava para buscar e quando achou que a prova já estava ganha?
Fiquei calmo. Nessas horas você tem que tentar de tudo. Se ele cansasse, eu buscaria. Do contrário, teria que me contentar com a segunda colocação. Quando percebi que ele estava olhando para trás o tempo todo, comecei a apertar para tentar buscá-lo o mais rápido possível porque percebi que ele estava cansando. E consegui isso a cerca de 1.200 metros do final. Passei por ele, dei uma olhada e vi que ele ficou. Não teve reação. Mas só senti mesmo o sabor da vitória depois que passei a linha de chegada, até porque já vi acontecer de tudo em final de prova.

Como vencedor da prova, você tem tido nestes dias uma agenda lotada. O que fez até aqui e o que fará daqui para a frente?
Depois que cruzei a linha de chegada, está sendo na verdade uma outra maratona. A agenda é lotada e sempre tem alguma coisa para fazer. Após a maratona, no domingo, fui assistir ao jogo de basquete da NBA do New York Knicks com o Milwaukee Bucks. Na seqüência, fui direto para a festa de encerramento da maratona. Eu e a Juliana tivemos apena uma três horas de sono. E hoje (segunda) já tinha pela frente logo pela manhã a abertura do pregão da Bolsa de Valores de Nova York. Depois de duas coletivas de imprensa, estamos aqui agora no almoço da premiação da World Marathon Majors e daqui vamos direto subir ao Empire State para tirar fotos la de cima e poder ver a vista toda da cidade. Depois, nem sei mais o que vem pela frente. Apesar de cansativo, acho importante cumprir todos esses compromissos. É um retorno que podemos dar para uma prova que nos acolhe tão bem.

Quando você cumprir toda essa agenda, qual a primeira coisa que vai fazer?
Sigo amanhã, na terça, com a Juliana para a Disney. Já tinha programado isso. Vamos ficar cinco dias descansando, conhecendo os parques em Orlando e tentar descansar o máximo para chegar ao Brasil bem, porque tenho certeza de que na volta terei uma terceira maratona pela frente. Depois do treino intenso da Olimpíada, acabei descansando pouco. Agora vou ver se consigo ter um período mais longo de descanso para no ano que vem começar o primeiro semestre já com força total.
Intervenção da Juliana: Dia 9 de novembro, faremos seis anos de casados. Poder conhecer a Disney, ainda que em curto espaço de tempo, não deixa de ser uma comemoração.

Já tem em mente o que vai fazer daqui para a frente?
Vou descansar, tirar umas férias, avaliar minha condição física e, quando voltar, quero avaliar como vou reagir depois da maratona. Se estiver bem, volto na seqüência aos treinos. Existe uma pequena possibilidade de fazer a São Silvestre, mas é mais provável mesmo que meu objetivo principal seja apenas no ano que vem mesmo. Devo fazer uma maratona no primeiro semestre e uma no segundo. Ainda não está decidido qual será. Mas muito provalvemente devo voltar para Nova York.

Todo mundo sabe que um corredor não consegue ir muito longe sem um bom par de tênis. Principalmente um maratonista, que tem que acumular quilometragem nos pés. Qual o modelo de tênis que fez parte da sua temporada de treino para chegar bem em NY?
Desde a primeira vez que treinei com o Pegasus já gostei de cara. Faço a maior parte das minhas rodagens com ele. É um tênis que amortece bem e protege as articulações, não deixando dolorido. Gostei desde o primeiro contato com ele. Já a algum tempo venho usando o Pegasus. Uso em toda rodagem, seja ela curta ou longa. Em rodagens de 10 km para cima eu sempre vou de Pegasus. É um tênis resistente. Demora um tempo maior para acabar do que os de competição. Mesmo assim, procuro sempre alterná-lo nos treinos, para não usar só um par. Gosto de deixar a borracha dele normalizar, voltar ao normal. Geralmente tenho três pares em uso, que dura uma preparação toda para uma maratona.

E que modelo de tênis o conduziu à vitória em Nova York?
Corri com um Nike Katana. É um modelo antigo que pedi para a Nike, porque me adaptei bem com o tênis. Comecei a usá-lo quando fui para Campos do Jordão. Fiz poucos treinos com ele, até porque esse tênis tem menor durabilidade mesmo e pouco tempo de uso. Fiz alguns treinos de pista. Procurei não usar muito antes da prova para que ele estivesse no ponto certo. Dei apenas uma amaciada para que pegasse o formato do meu pé, adaptasse à pisada e já estivesse pronto para a maratona. A trajetória dele terminou no domingo. Agora ele está guardado, ainda com o chip da corrida e junto com o número de peito, como o da maratona de 2006.

Acabamos de subir no Empire State e você pode ter uma dimensão de toda essa cidade que o projetou. O que achou?
Foi muito legal. Quando estamos em Manhattan, temos muito a visão do concreto, por causa dos prédios muito altos. De lá de cima, deu para ver tudo, que Manhattan é uma ilha, e perceber toda a dimensão dessa cidade.

Texto e foto: Fernanda Paradizo, jornalista e corredora
Na Foto: Marilson Gomes e Paula Radcliffe exibindo as medalhas da Maratona de Nova York

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O medo da morte




Depois que o mundo assistiu pela televisão no dia 25 de janeiro de 2004 a morte súbita aos 24 anos do jogador húngaro Miklos Fehér do time de futebol do Benfica de Portugal, todos se assustaram. Diariamente morrem milhares de pessoas no mundo. Nos esportes, proporcionalmente esta incidência é pequena, uma vez que a maioria dos esportistas são pessoas saudáveis. Mas não é uma regra.

Poucos são os jogadores de futebol que podem ser considerados um ‘verdadeiro atleta’, haja visto, a má vontade com que a maioria vão para o treinamento físico e a disposição com que particip am dos jogos.

Freqüentemente assistindo a Gazeta Esportiva da TV Gazeta, vejo jovens jogadores dizendo que estão fora de forma. É ridículo, vindo de um profissional do esporte, que é pago para somente se dedicar à prática do futebol. Todos têm a obrigação perante aos clubes e patrocinadores, de estarem ao longo da temporada 100% preparados, afinal, esse é o seu trabalho.

Qualquer pessoa, em poucos meses de treinamento orientado, acompanhamento médico e disciplina, é capaz de correr uma São Silvestre (15 Km) com muitas subidas e descidas.
Agora, um jogador de futebol, que treina em dois períodos (manhã e tarde), reclama quando tem que correr a mais se o companheiro lança a bola longe dos seus pés.

As famosas noitadas dos jogadores, muitas das vezes, são regadas de bebidas alcoólicas, comidas gordurosas e cigarro. Qualquer leigo sabe que isto não é saudável. Não estou recriminando o comportamento dos jogadores, cada um faz o que acha correto, mas relato fatos que são presenciados pela mídia e torcedores.

O verdadeiro atleta se dedica de corpo e alma aos seus objetivos.

Todo excesso, pode trazer conseqüências negativas para o organismo. Noites mal dormidas, alimentação inadequada, altas doses de álcool, falta de condicionamento físico, altas temperaturas e herança genética, podem predispor a desconfortos durante uma partida de futebol ou qualquer outra atividade física que exija do praticante.

Hoje a medicina moderna esta tão avançada que pode reverter casos de doenças se detectados logo no início.

Os médicos do esporte que acompanham todos os principais atletas do mundo do futebol são extremamentes qualificados para tal. Os grandes clubes possuem verdadeiros laboratórios com aparelhos de ultima geração.

Se você leitor, que gosta de praticar esportes, e já faz alguns meses que não faz os exames médicos, e não possui a retaguarda de um clube de futebol, vai aqui uma dica para ‘correr seguro’:

Hemograma completo (mais glicose, ferritina, ácido úrico, colesterol e frações, urina tipo 1 e parasitológicos) - serve para diagnosticar casos de colesterol alto, diabetes, anemias e outros problemas que precisem ser tratados antes de se submeter a qualquer esforço físico.

Teste de esforço (também chamado de potência aeróbia ou ergoespirométrico) - realizado em esteira ou bicicleta ergométrica, vai detectar se existe ou não alguma anomalia cardíaca durante o esforço físico e também vai indicar qual seu atual nível de condicionamento.

Check-up dentário - Ao se submeter ao programa de treinamento, você vai utilizar todas as suas reservas. Sendo assim, qualquer tipo de infecção, por menor que seja, pode ter seu quadro agravado.

Avaliação nutricional - Checar os hábitos alimentares e adequá-los às novas necessidades calóricas impostas pela carga e volume de treinamento são providências mais do que bem-vindas. Além disso, se você estiver com um índice de gordura mais alto do que o normal para a prática da corrida, é importante seguir uma dieta.

Avaliação ortopédica - Dor ciática, anormalidades na coluna, obesidade, má postura, lesões antigas nos meniscos ou nos ligamentos ou até mesmo um formigamento são algumas pistas que podem levar o ortopedista a detectar problemas que podem se agravar quando colocados à prova.

Wanderlei de Oliveira

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Qual o segredo do sucesso?



Alguns atletas ao primeiro tropeço – desistem. Outros, com determinação, planejamento e muita disciplina – seguem em frente. Muitos chegaram a questionar o fim da carreira da britânica Paula Radcliffe após dois “fracassos” seguidos na maratona nos últimos Jogos Olímpicos. Discreta, aceitou as duras críticas e continuou fazendo o seu trabalho. No domingo dia 2 de novembro, dia de finados, renasceu para o mundo com o tricampeonato na Maratona mais famosa do mundo – Nova York.

Foi uma prova perfeita, com parciais de 1h13min23seg e 1h10min33seg nos 21 K. Para quem conhece o percurso sabe que os últimos seis quilômetros são dentro do Central Park, com subidas e curvas. Outro fato que chamou a atenção foi o ritmo forte nas sete milhas finais com parciais de 5min25, 5min23, 5min20, 5min20, 5min18, 5min12 e 5min13, o equivalente a 33min01 nos 10 K finais. Uma milha equivale a 1.609 metros. Simplesmente fantástico!
Acompanhem a belíssima carreira de uma das atletas mais vitoriosas dos nossos tempos.
Paula Radcliffe nasceu no dia 17 de dezembro de 1973, em Nortwich na Inglaterra. Hoje aos 35 anos é considerada uma heroína para os britânicos, pelos seus excepcionais resultados no atletismo internacional.

No ano de 1992 em Boston nos Estados Unidos, ela tornou-se campeã mundial Junior de Cross-Country e no mês de março de 2002 (dez anos após) em Dublin na Irlanda, vence pela segunda vez o mundial, agora na categoria adulta. Outro fato interessante, assim como o atleta português Carlos Lopes que nos anos 80 e 90 era o único atleta branco a fazer frente a soberania negra de etíopes e quenianos, Paula Radcliffe, é um nome certo para vencer as principais provas do circuito internacional, impondo respeito pelas adversárias.

Ela é treinada pelo técnico alemão Volker Wagner, o mesmo da queniana Tegla Loroupe, ex-recordista mundial da maratona, e da etíope Birhane Adere ex-recordista mundial indoor para os 3.000 metros com 8m29seg15, sendo a primeira mulher a quebrar a barreira dos 8min30. Em Bristol na Inglaterra (2003), tornou-se campeã mundial dos 21 km com o excelente tempo de 1h06min47sec. Nos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000, foi a quarta colocada nos 10 mil metros com 30m26seg, sendo este seu melhor resultado para a distância (em pista).

Radcliffe também já foi recordista mundial dos 5 K (prova de estrada) com o tempo de 14min51seg. Ainda esta em seu poder o recorde mundial dos 10 quilômetros em rua com o tempo de 30min21seg, média de 3min02 por quilômetro estabelecido no dia 23 fevereiro de 2003 em San Juan (Porto Rico).

Dentre todos seus grandes resultados, é o recorde mundial dos 42.195 metros (26,2 milhas para os ingleses), conquistado na Maratona de Londres no dia 13 de abril de 2003, com a fantástica marca de 2h15min25seg, média de 3min12 por quilometro, ou o equivalente a 18,7 quilômetros por hora, que lhe deu mais fama e credibilidade internacional.

Vale lembrar que Paula Radcliffe foi eleita Atleta do Ano de 2002, pela IAAF – Federação Internacional de Atletismo.
Wanderlei de Oliveira

domingo, 2 de novembro de 2008

Marilson Gomes e Paula Radcliffe: os monarcas da NYC Marathon



A corrida de rua mais importante do calendário mundial, a Maratona de Nova York com 38.377 competidores teve duas vitórias importantes neste domingo, a do brasileiro Marilson Gomes da Silva e da britânica Paula Radcliffe. O brasileiro venceu o circuito com o tempo de 2h08min44seg, abaixo do seu tempo de 2006 quando atingiu 2h09min58seg e se torna uma referência na competição.

"Hoje eu provei que em 2006 não foi sorte". "Este circuito é muito favorável para mim. Me lembra a minha casa", declarou Marílson às agências internacionais, que comemorou com a bandeira do país e a esposa Juliana.

Contra o brasiliense havia a temperatura de 5 graus Celsius além do vento forte, de acordo com informações de alguns sites americanos.

O segundo colocado foi o marroquino Abderrahim Goumri que liderou durante grande parte da prova mas finalizou atrás de Gomes com tempo de 2h09min07seg, seguido pelo queniano Daniel Rono com o tempo de 2h11min22seg. O ex-campeão da prova norte-americana, Paul Tergat, chegou em quarto com 2h12min.

Mãe e maratonista vencedora
A britânica Paula Radcliffe, 35 anos, depois de abandonar a maratona dos Jogos Olímpicos, retorna em grande estilo vencendo pela terceira vez a Maratona de Nova York com o tempo de 2h23min56seg. A russa Ludmila Petrova foi a segunda colocada com 2h25min43, seguida pela norte-americana Kara Goucher com 2h25min53.

"Ganhar três vezes é realmente especial para mim. É incrível mesmo ter alcançado a marca e estar no caminho de Greta Waitz (vencedora da NYC Marathon por nove vezes). Nova York é um lugar que eu amo entrar (para correr), mas foi diferente este ano", disse Radcliffe ao site Sports Ticker.

Alguns sites europeus já consideram Radcliffe como a rainha de Nova York e comentam que ela ressurgiu das cinzas quando todos os críticos achavam que ela tinha encerrado a carreira com o abandono na China. Esse é o esporte, essa é a corrida de rua.

Arnaldo de Sousa, jornalista e corredor
Foto: Runner's World de Victah Sailer e Reuters