quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Run For Life também em Florianópolis

Como em São Paulo, em Floripa não poderia ser diferente.
Os treinos também começam cedo e os locais escolhidos são a Beira-Mar Norte com uma área plana e estensa que inicia pouco depois da Trindade, bairro universitário que se estende até o cartão postal da cidade, a ponte Hercílio Luz, temos inclusive a pista de atletismo da UFSC (Universidade Federal de SC), o Parque do Córrego Grande, bem como outros locais que contemplam a beleza afrodisiáca da ilha.
Vanderlei Moreira, sempre foi um adepto da corrida, pois faz tempo que segue os passos de seu mentor Wanderlei de Oliveira.

Vale relembrar que Vanderlei já atuou como parceiro da Run For Life em muitos trabalhos como co-orientação de treinos para corredores e executivos de São Paulo, bem como fez acompanhamento técnico de corredores atletas e empresários a maratonas nacionais e internacionais, destaque para a maratona de Nova York.

Corredor paulistano de fundo há quase 30 anos, maratonista, com Know How técnico formado a partir da sua experiência de quase 10 anos em assessoria de treinamento para corredores, e hoje, na capital catarinense coordena pessoas todas as segundas, quartas e sextas, alternando os treinos e locais de acordo com a metodologia da Run For Life.

Tudo o que se move parte do zero

A maioria das pessoas pensa que para fazer o teste dos 3.000 metros é preciso estar em forma.
Ao contrário. O teste serve para colocá-lo em forma. Através dos resultados apresentados a cada avaliação, podemos dar seqüência aos treinos. O ápice do condicionamento físico só é possível em determinadas fases conforme a periodização dos treinos. No nosso caso o primeiro pico será no mês de abril e o segundo em setembro, período das principais competições na América do Sul e Europa. O tempo em si nos testes é um mero detalhe! O que importa para o técnico é observar o comportamento do atleta durante o teste.
Como ele inicia a corrida? Forte, fraco.
Qual sua reação quando é ultrapassado? Aumenta, diminui.
O que passa pela cabeça no meio do teste? Acelerar, desistir.
Como reage seu corpo? Bate o pé, flutua.
Qual sua atitude ao cruzar a linha de chegada? Chora, vibra.

O texto a seguir foi postado no blog http://niltonmaia.blogspot.com/.
O autor é o Nilton Maia, 32, corredor que busca o sentido da vida.

"Tudo que se move parte do zero.
O mais rápido ... parte do zero
O mais lento ... parte do zero
Qual a diferença de um para o outro?
O final.
Qual a importância de saber isso?
Todos nós somos iguais no começo.
Temos infinitos caminhos a percorrer.
Uns chegam mais rápido,
outros podem demorar um pouco ou muito,
mas não impede que cheguem ao mesmo lugar.
Existe o outro lado.
Qual a importância de chegar antes,
se não se sabe o que fazer depois?
A velocidade nem sempre é a maneira mais rápida
de se chegar a algum lugar,
mais sim, a consciência de como vai chegar e continuar..."

6h15 da manhã. Décimo sétimo dia de janeiro de 2008. Parque do Ibirapuera, São Paulo. Rodagem confortável no gramado, para desintoxicar os músculos devido ao teste no dia anterior. Esse foi o assunto principal durante os 15 quilômetros. Estamos com 185 quilômetros nos dezessete primeiros dias do ano. A média está em 10,8 quilômetros por dia.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Minha primeira (e última) São Silvestre

por Karine César

Despedir-me do sol, no dia 31 de dezembro, não foi tarefa fácil. Questionei-me várias vezes se estava fazendo a coisa certa de abandonar aquele dia maravilhoso na praia para subir à "Selva de pedra" e correr pelos corredores de concreto. Mas, tinha um compromisso com a São Silvestre e, principalmente, comigo. Confesso que, mesmo amando correr, a tradicional prova nunca foi meu sonho. A data era meu maior empecilho porque sempre estava viajando nesta época. Ano passado, no entanto, eu ficaria no litoral paulista e em uma hora estaria em São Paulo. Era o momento perfeito para me inscrever em uma das provas mais comentadas do mundo. Tudo estava perfeitamente organizado. Subiria no dia 31, correria, voltaria para a praia e fecharia meu ano nas areias do Guarujá. Tudo feito, mas eu não contava com a famosa preguiça. Quando vi o sol entrando pela janela e todos os meus familiares e amigos vestidos para praia, o arrependimento veio à tona. Porém, eu tinha que continuar não importava o quanto fosse difícil. Já coloquei o short, o top, a camiseta e o tênis para entrar no clima e não cair na tentação de vestir um biquíni. Despedi-me de todos e vi nos olhos de cada um certo grau de orgulho (ou seria de perplexidade com a minha "loucura"). Bom, não importa. Prefiro pensar que foi a primeira opção. Pronto, agora estava pronta para enfrentar o desafio. Falei para mim mesmo: será a primeira e última São Silvestre! Cheguei em São Paulo quase quatro horas antes da largada. Relaxei um pouco, mas o nervosismo é inevitável. Quando cheguei na estação Trianon-Masp, tive idéia da magnitude do evento. As escadas rolantes estavam lotadas. Parecia até horário de pico. Mas, ao invés de ternos e gravatas, shorts e camisetas desfilavam pela avenida. Não havia mais espaço.Tentei me espremer entre os outros atletas para conquistar um lugarzinho mais perto da largada. Enquanto aguardava o início da prova, fui me distraindo com o pessoal fantasiado. Aquelas figuras que a gente vê na tevê e acha o máximo. Na hora, no entanto, a única coisa que passava pela minha cabeça era como eles corriam com tanta roupa com aquele calor que fazia. Eu já estava passando mal e estava com tão pouca roupa. Mas, eles são um show à parte. A prova é por si só uma sensação! Foi dada a largada. Caminhei até perto do tapete. Depois, passei para uma corrida leve. Ainda não estava no meu ritmo. Era muita gente e todos estavam no mesmo passo. Tentava desviar, mas era bem difícil. Procurei ficar na minha. Na descida da Consolação, comecei a prestar atenção nas pessoas que estavam assistindo. Elas realmente vibram junto e são a graça de tudo. Os gritos das pessoas me fizeram arrepiar. Nunca tinha passado por uma experiência assim. Realmente, a prova é emocionante e única. Já estava feliz por estar participando. Conforme fui chegando ao sétimo quilômetro, o ritmo foi caindo. Fui sentindo um mal-estar... Internamente, eu pensava: será o calor, a falta de treino, os quilos extras... Afinal, o que estava me fazendo "quebrar" (jargão para quando você perde o pique na corrida)? Minha cabeça estava a mil. Eu, realmente, tinha que ter perdido uns três, quatro quilos para correr mais leve. Faz uma diferença! E a musculação que eu parei? Ah, sim, era ela a culpada. Afinal, não estava cansada, mas minhas pernas não me obedeciam mais. Refleti mais um pouco e assumi para mim mesmo que a única culpada era eu. Faltei muitos dias aos treinos na pista de atletismo do Ibirapuera. Meu treinador (Wanderlei) tentou me alertar. Mas, convenhamos acordar às 5h30 quase todos os dias para quem chega do trabalho depois das dez da noite em casa, não é tarefa simples. Eu estava pagando – bem alto - pelos meus erros. Não havia justificativa. Mesmo assim, tentei curtir o percurso. Em cada esquina, via um rosto de esperança. De repente, um gritava "falta pouco", "já ta chegando", "veio aqui para correr ou para andar", "aumenta o ritmo". Na hora, eu xinguei internamente, tenho que confessar. Só eu sabia o esforço que estava fazendo. Definitivamente, não era meu dia! Entretanto, um minuto depois, lembrava que aquelas pessoas estavam ali de bom grado, tentando nos ajudar e eu os recriminando. Nas ruas do centro, as pessoas saíam de casa com mangueiras e molhavam os atletas para diminuir a nossa dor. Isso não tem preço. Os expectadores compartilham cada momento de emoção com a gente. Não há como explicar. Diminui bem o meu ritmo, mas não parei de correr em nenhum minuto. Essa era a minha meta. Fiz 1h34m. Um tempo muito aquém do que eu esperava. Eu posso colocar a culpa em várias coisas. Na realidade, todo atleta que não chega no tempo estabelecido, arranja uma ou várias desculpas para justificar seu mal-desempenho. No fundo, nos mesmo somos os culpados. Eu assumo o meu: fiz tudo errado o ano passado. Faltei aos treinos, não me dediquei com afinco e comi tudo errado. Eu havia me comprometido com a editora da revista Corpo a Corpo e com o meu técnico a fazer tudo certo até a São Silvestre. Falhei, mas aprendi muitas coisas sobre corrida nesses quase três meses de preparação. Afinal, nunca havia treinado com o acompanhamento de um especialista. E faz muita diferença! O saldo positivo é de que a partir de agora não subestimo mais os treinamentos, serei tão solidária com as pessoas como elas foram comigo durante o percurso e, mesmo não tendo me superado, eu pelo menos queimei mais ou menos umas mil calorias e passei o reveillon mais leve. Pelo menos, até o momento da ceia... No início, falei que seria a minha primeira e última São Silvestre. Agora, já não sei. O que importa é que quero treinar muito para não ficar mais brava comigo. E se vale uma dica: corra, pelo menos uma vez a São Silvestre. Você não vai se arrepender. Assim como eu não me arrependi. Pelo contrário, amei!

* Karine César é editora da revista Dieta Já, da Editora Símbolo

Sem medo de ser feliz

O que admiro nos jovens é que eles não têm medo do perigo. São valentes. Audaciosos. O que importa é conseguir o que querem. Quando me refiro em ser jovem, pode ser o de 20, 30, 40, 50, 60, 70 ou mais anos.

Na letra da música o que, é o que é? cantada por Gonzaguinha ele expressa bem esse sentimento. “Viver! E não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...”.

O Marcelo Silva, 26, advogado da CCEE, mostrou essa ousadia. No dia anterior ele perguntou se poderia tentar saber onde poderia chegar. Como venho acompanhando diariamente o empenho dele nos treinos, falei que poderia arriscar. Porém com certa cautela. Caso sinta algum desconforto, diminua.

Chegou a hora. Sem tomar conhecimento de quem estava ao seu lado, saiu disparado no teste dos 3.000 metros no Centro de Excelência BM&F de Atletismo. Os que vinham atrás, eu era um deles. Achavam que na primeira volta de 400 metros diminuiria o ritmo. Veio a segunda, a terceira, quarta volta e nada. Ele na frente. Pensamos, nos 2.000 metros passamos por ele e tchau! E nada. Última volta, é agora. Vamos!

Como na parte final da música do Gonzaguinha, “e a vida o que é? Ela é a batida de um coração. Ela é uma doce ilusão. He! Hô!... E a pergunta roda, e a cabeça agita, fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita, e é bonita...”. É a vida!

O Marcelo completou os 3.000 metros em 11 minutos e 19 segundos, média de 3 minutos e 46 segundos por quilômetro. Excelente, por ser a primeira avaliação da temporada e sua segunda experiência na distância. O primeiro teste ele completou em 11 minutos e 54 segundos.

6h00 da manhã. Décimo sexto dia de janeiro de 2008. Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, estádio Ícaro de Castro Mello. Por termos realizado o teste dos 3.000 metros (11min26seg), entre o aquecimento e o desaquecimento, fizemos 8 quilômetros no total. Já são 170 quilômetros nos dezesseis primeiros dias do ano. A média esta em 10,6 quilômetros por dia.

Wanderlei de Oliveira

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Encontro com a monja

Acompanho o belíssimo trabalho da Monja Coen há muitos anos. Cada encontro, um reencontro.
Parece que somos amigos de longas datas. No domingo passado, a Patrícia o Nilton Maia e eu fomos até a Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, ao lado do Estádio do Pacaembu, interessados em conhecer o Zazen.

Antes de iniciarmos a prática, um de seus discípulos pacientemente explicou a todos como proceder antes de entrar no Templo Tenzuizenji. As posições das mãos. Como entrar. Em qual dos lados da porta de acesso ao Templo entrar. Como andar. Onde sentar. Como sentar. Que roupa usar. Como respirar. E depois de tudo isso ficar quieto. Não que todos já estivessem falando. Entramos quietos e saímos calados. O Zazen é isso. Relaxar na postura sentada com as pernas cruzadas, de frente para a parede. Respirar pausadamente. Alinhar a postura. As mãos pousadas uma sobre a outra confortavelmente abaixo do umbigo, formando um círculo com os polegares. Esta é a posição do mudra cósmico. Vinte minutos em silêncio, fazendo uma contagem mental da respiração. Após, calmamente nos levantamos e iniciamos a “Caminha Zen”, criada pela Monja Coen. A cada passada uma respiração. Caminhamos em fila indiana, formando um círculo, até retornarmos ao ponto de partida. Mais dez minutos de Zazen. Isso é meditar.

Silenciosamente, a Monja Coen passa por nós e se senta à nossa frente. Observa cada um que está no Templo. Sorrindo, saúda a todos. Nesta segunda-feira, dia 14 de janeiro, ela completou 25 anos que se tornou Monja. Em 1983 ela morava em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ela esclareceu uma dúvida freqüente sobre o Zen. “Ser Zen não é estar à toa, sem fazer nada. Ser Zen é estar presente. Ativo. Participativo. “Compromissado”. Ela também comparou a prática do Zazen com o treinamento de um maratonista. “Exige disciplina diária, paciência, persistência. Quando vem o cansaço no quilômetro 30, temos que tirar uma força extra de dentro e seguir em frente. Até a linha de chegada. Ter um objetivo definido – é essa força que faz com que você não pare no meio do caminho. O objetivo, a prática, o entusiasmo conduzem à vitória.”

Prontos para irmos embora, sorridente como sempre, a Monja Coen nos chamou e nos ofereceu algumas mensagens escritas em japonês de bênção e proteção. Disse também que se lembra de mim freqüentemente. Em 2006, a Patrícia Vismara, que tem como hobby artesanato em madeira e biscuit, me usou como modelo e fez uma lembrancinha oferecida aos amigos em meu aniversário. A Monja guardou. Quanta honra!

6h00 da manhã. Décimo quinto dia de janeiro de 2008. Parque do Ibirapuera em São Paulo. Acompanhado pela Patrícia, a jornalista e maratonista Fernanda Paradizo, o Nilton Maia, o Marcelo Silva e o Nilton Lima, contornamos o parque pelo gramado. Tranqüilos, conversando pausadamente, respiração ritmada. Trocamos conhecimento. Novos objetivos, já pensando em 2009. Uma “Corrida Zen”.
Hoje foram 10 quilômetros. Já são 162 quilômetros nos quinze primeiros dias do ano. A média está em 10,8 quilômetros por dia.

Wanderlei de Oliveira

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Grandes mestres

Segunda-feira em São Paulo. Para muitos o dia da preguiça. Para poucos, primeiro dia do ano, uma vez que retornam ao trabalho após férias coletivas. Essa época do ano no futebol profissional foi batizada de pré-temporada. Para nós do atletismo é o período de base e já estamos na segunda semana de treinos. Todas as manhãs são especiais, hoje foi a vez dos tiros em rampas. Após um longo aquecimento, que incluiu alongamentos no Centro de Excelência BM&F de Atletismo, seguimos para o Parque do Ibirapuera. Realizamos os exercícios de técnica de corrida “biomecânica dos movimentos” e, após 60 minutos de preparação, iniciamos as rampas. A inclinação da rampa foi de 45%. Acima disso, pode sobrecarregar demais as articulações, dos membros inferiores e superiores. A distância escolhida foi de 50 metros. Trabalhamos a resistência muscular localizada, força explosiva, velocidade controlada. É também um excelente exercício para se corrigir, aprimorar a biomecânica da corrida específica em subidas.
A princípio, não se usa força, mas conscientização da postura. Movimentos sincronizados dos braços. Posicionamento dos pés no solo. Velocidade de reação no impacto. Elevação. Impulsão. Amplitude para frente e para cima, sem perder o tempo exato de cada passada.
O destaque desse treino foi o senhor Oswaldo Silveira, que completou 78 anos e deu um show de vitalidade. O craque em coordenação dos movimentos é o Jacob Nahmias, de 75 anos. A dona Mitico Nakatani, 75 anos, campeã Mundial de Maratona, é o exemplo de persistência. Eles são nossos “grandes mestres”.
Segundo pesquisas do American College Sports Medicine, exercícios de alto impacto, com acompanhamento, podem prevenir a osteoporose em pessoas acima dos 60 anos.
Tudo isso aconteceu na Ladeira na Solidão.

6h00 da manhã. Décimo quarto dia de janeiro de 2008. Devido ao treino técnico de tiros em rampas, fizemos 5 quilômetros. Já são 152 quilômetros nos catorze primeiros dias do ano. A média está em 10,8 quilômetros por dia.

Wanderlei de Oliveira

domingo, 13 de janeiro de 2008

Adriano Bastos é penta na Disney


O brasileiro Adriano Bastos venceu neste domingo, dia 13 de janeiro, a 15ª edição Maratona da Disney, disputada em Orlando, nos EUA. Com o resultado, o atleta sagra-se como o primeiro pentacampeão da prova que o consagrou internacionalmente. Ele venceu as edições de 2003, 2005, 2006 e 2007. A largada da Maratona acontenceu no Epcot Center, às 6 horas da manhã.

Resultados
Masculino
1. Adriano Bastos (BRA) - 02:20:56
2. John Garton (EUA) - 02:35:01
3. Lance Jones (EUA) - 02:37:57
4. Matthew Dobson (EUA) - 02:41:03
5. Kevin Lyons (EUA) - 02:41:59

Feminino
1. Melanie Peters (EUA) - 02:47:29
2. Sonja Friend (EUA) - 02:49:24
3. Christa Benton (EUA) - 02:52:49
4. Janine Peart (EUA) - 03:02:50
5. Connilee Walter (EUA) - 03:06:44