segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Brincar de correr

Quem não fica admirado em ver uma criança brincando, correndo, se divertindo? A natureza é generosa com as crianças, elas passam a impressão de que a corrida é uma brincadeira. Elas correm, leve e soltas. No início dos anos 30, o técnico sueco Gosse Holmer percebeu a necessidade de trabalhar em um único treino a velocidade, através de corridas rápidas de 50 a 100 metros, a resistência anaeróbia, com corridas contínuas com duração mais longa, e a resistência aeróbia, pela duração do esforço acima de 40 minutos até 1 hora e 20 minutos. Holmer criou o FARTLEK, palavra sueca que, traduzindo, para a língua portuguesa significa brincar de correr.

6h30 da manhã. Sétimo dia de janeiro de 2008. Saímos do Centro de Excelência BM&F de Atletismo em direção à Praça da Paz, no coração do Parque do Ibirapuera em São Paulo. Hoje o grupo era de mais de 70 pessoas. Alguns voltando de férias, em forma de “panetone”, bem recheado de frutas. Mas todos dispostos, entusiasmados para cumprirem a programação de 2008. Nada melhor do que uma ótima seqüência de alongamentos às 6 horas com a Mônica Peralta e o trabalho de biomecânica do movimento na Praça da Paz. Apesar da necessidade de atenção e cuidados com os exercícios, é motivo de muita risada e diversão com a descoordenação dos novatos. Como sempre, novatos são novatos.
Com 10 quilômetros do treino de hoje, já são 80 quilômetros nos sete primeiros dias do ano. Média de 11,4 quilômetros por dia.

Wanderlei de Oliveira

Nas Profundezas da Montanha


por Zuymyo Joshin Sensei

Às vezes erguemos a cabeça para a imensidão e beleza ao nosso redor, às vezes olhamos para baixo, para nossa infelicidade. Tudo bem, perfeito, não precisamos olhar apenas por um dos lados, o do seshim simplesmente maravilhoso, pois o seshim é tudo que surge, bons e maus momentos, realidade, ilusões. É Buenos Aires, 9 de março, 1996, terceiro dia de um seshim, período intensivo de meditação.

Antes de ser monja eu gostava muito de escalar montanhas, e quando comecei a fazer seshins pensei que as duas atividades eram semelhantes. Quando vamos escalar uma montanha levantamos cedo, enchemos a mochila e começamos a caminhar com os amigos. No caminho a mochila vai ficando mais pesada, o trajeto mais difícil, e nos perguntamos se chegaremos ao fim. Por que decidimos colocar tanta coisa na mochila e fazer esse tipo de passeio? Devo estar louca! Mas não temos mais opção, no alto da montanha a única opção é continuar. Chegamos a um pequeno refúgio, deitamos as mochilas no chão e bebemos água fresca de um riacho. Que vida maravilhosa!

Quando comecei a fazer seshim pareceu escalada de montanha, mas dez vezes mais duro. De manhã levantamos felizes e quando sentamos o zazen é maravilhoso, mas continua e continua o dia, o tempo passa, começamos a nos aborrecer com as horas intermináveis, até perguntar, "Por que estou aqui?" Zazen é mais penoso do que escalar montanhas. às vezes achamos que não vamos poder continuar. Mas precisamos continuar. à noite pensamos, "Este é o melhor momento da minha vida". Isto é seshim. No seu transcorrer, vamos percebendo mais pontos em comum com escalar montanhas. Ao escalar usamos uma corda para atingir a próxima meta, e como estamos com uma pessoa experimentada a nos guiar, confiamos nela, sabendo que outras pessoas já passaram por isso e nós também vamos conseguir. No seshim é a mesma coisa, temos de confiar nas pessoas responsáveis pela organização. É a mesma coisa porque precisamos de nos ajudar mutuamente. Se estamos num momento difícil, quem já passou por isso pode nos ajudar.
Da próxima vez, nós ajudaremos outras pessoas.

Num seshim, todos os que compõem a sanga tornam-se um só corpo. Aquilo que nos afeta, afeta a toda a sanga. O que temos na mente, o que fazemos, nossos movimentos, nossa maneira de agir, afetam toda a sanga. Mas não precisamos fazer desta constatação uma sobrecarga, temos apenas de nos sentir responsáveis para com os outros. Podemos pensar que estamos juntos como os dedos de uma mão, bela e agradavelmente. Devemos pensar que nossas ações vão ajudar a todos, não somente no seshim, mas também na vida cotidiana. Mas no seshim podemos compreender isso mais facilmente porque somos um grupo pequeno e com laços muito fortes. Quando uma pessoa se empenha no seshim, todos são auxiliados por seu esforço. Este é o espírito bonito e importante do seshim, uma montanha que estamos escalando, temos de continuar subindo pois é uma questão de vida ou morte, não apenas de vir, tranqüilizar a mente, relaxar, praticar zazen. Precisamos entender o grande mistério da vida e da morte, e no seshim entramos em nós mesmos e neste problema.

Esta não é uma questão só minha, mas de cada um de nós. Além das aparências e das ilusões, precisamos compreender o que é a vida e a morte, e para isso precisamos estar juntos, pois não se trata de uma questão que alguém possa responder sozinho. No budismo isso leva o nome de interação, e significa que o que eu fizer terá conseqüências sobre todo o mundo. Sou responsável por minha vida, mas também pelos outros, não por sentimento de culpa, mas de responsabilidade. O pequeno grupo da sanga é como um grupo experimental, onde tal prática fica mais fácil. Mas é claro que devemos levar o ensinamento para a vida cotidiana.

Sabemos, por experiência própria, que o nosso estado mental influencia todo o ambiente. Se vocês moram com a família, com outras pessoas, sabem que se acordarem um dia de mau humor isso se espalhará por todos ao seu redor. Não somos apenas uma pessoa, mas um pequeno reflexo de cada um. Estamos ligados pela mesma corda, como se escalássemos uma montanha. Essa é a experiência mais forte do seshim, o mais duro caminho, de onde nascerá o sentimento de compaixão. Se consigo entender que cada pessoa está ligada a mim através dessa corda, numa situação de vida e morte, entendo como somos a mesma pessoa. O ponto de partida para a compaixão é poder reconhecer o sofrimento do outro em mim, e o meu sofrimento no outro. Sem isso não existe compaixão, pois compaixão é tornar-se um com a outra pessoa. Esse é o ensinamento de Buda.

Quando observamos outra pessoa, quando sentimos o sofrimento dela no zendo, quando vemos sua alegria, quando percebemos que até certo ponto temos as mesmas atitudes, emoções, dificuldades, alegrias e facilidades, então podemos partilhar a compaixão. Não existe alguém dando compaixão a outro, o que existe é compaixão fluindo. Por isso introduzimos hoje a recitação do Sutra de Kanzeon no início e no fim do samu (período de trabalho coletivo). Kanzeon é o nome japonês de Avalokitesvara, o bodisatva que representa a compaixão, cujo nome significa Aquele que ouve os lamentos do mundo.

É difícil ouvir os lamentos alheios, porque estamos sempre gritando mais alto e só conseguimos ouvir os nossos próprios lamentos. Por isso nos voltamos para Kanzeon, o que significa que tentamos abrir nosso coração para a compaixão. A representação de Kanzeon ajuda-nos a compreender a compaixão, que não está longe de nós mas aqui mesmo, ao nosso alcance. Quando recitamos que da manhã à noite somos um com Kanzeon, estamos dizendo que tentamos abrir o coração o dia inteiro: da manhã à noite tentaremos abrir o coração para outras pessoas. Quando dizemos, "eu me sinto um com Kanzeon", estamos dizendo "eu me sinto um com cada pessoa". Se não for pela compaixão, não vale a pena ficar sentado no zafu.

Talvez tenha sido com essa intuição que deixei de escalar montanhas para me tornar monja, porque senti que a compaixão é ampla, muito mais ampla do que o Himalaia. Mas também sua prática é mais difícil. Precisamos entender que temos de nos esforçar. Os seres humanos nunca conseguem nada facilmente, não sei por que é assim, é um mecanismo do mundo. Se olharmos para nossa vida, perceberemos que tudo nos chega em meio a dificuldades, e que, freqüentemente, em meio ao sofrimento, uma coisa maior nos chega.Quanto mais você se dá no seshim, mais recebe. Mas é difícil ir além de um certo ponto. Um texto chinês antigo fala disso. O Tratado do Tesouro Precioso, nome da história escrita há uns doze séculos, diz que "existem dez mil caminhos que conduzem à iluminação, e cada um deles é apenas um pequeno instante. Um pássaro paira no céu entre duas nuvens. Um peixe descansa nas águas do mar. O primeiro nunca conhecerá a imensidão do oceano. O segundo jamais verá a vastidão do céu. Os praticantes se afastam do grande caminho e entram em veredas insignificantes. Obtida certa quantidade de mérito com algum esforço, desistem antes de chegar ao destino, sem jamais alcançar a dádiva da felicidade essencial".

E este é o problema desses doze séculos, como persistir em nossos esforços e conhecer a imensidão do céu e a vastidão do mar. O texto diz que quando obtemos uma certa quantidade de méritos, paramos e entramos em veredas pequenas, insignificantes, ou seja, perseguindo ilusões. Começamos a dizer, Eu sei. Aprendemos algo e, sem parâmetro de comparação, cremos descobrir grande coisa. Para nós é como a descoberta de um tesouro, interrompemos a busca pensando no que obtivemos, desconhecendo a insignificância desse tesouro comparado à vastidão do céu onde podemos voar.

Este é o significado do seshim, não pare, não pare quando alcançar alguma coisa, lembre-se que está no meio da vida e da morte, escalando, nalgum lugar, uma vasta montanha. Não é porque encontrou um lugar estável que pode parar. Precisamos continuar escalando. O grande problema é pensar que esta pequena descoberta é "minha", isto é "meu". Esse pensamento nos separa dos outros. Seja o que for que pensemos ter conseguido num seshim, quando pensamos no que é "meu" não conseguimos nada. Não há imensidão, vastidão, nem sequer compaixão nesse pensamento.

Passamos a vida toda procurando coisinhas para dizer "isto é meu". Mas o objetivo do seshim não é esse, no seshin precisamos ir mais profundamente e compreender toda a conexão que temos uns com os outros. Essa é uma das razões de cantarmos pela manhã a nossa linhagem, numa importante recitação com a qual vamos além dos laços entre nós, sanga, neste momento, até o passado, receber os ensinamentos transmitidos de mestre a mestre. Cada um deles deu a vida para preservar e transmitir os mesmos ensinamentos, eis o laço que temos com eles, nossa vida não é somente agora, está conectada com todo o passado e todo o futuro, por isso recitamos os budas todos, do passado e do futuro. Isso é tornar-se um, uma imensidão, também, e representa pequenas quebras nos estreitos limites da nossa vida.

Somos, igualmente, um só corpo com a sanga. Recitar a linhagem sem nos determos significa que não há uma pessoa depois da outra, que somos todos um. A recitação segue como um rio e a ligação entre os mestres é ininterrupta. Esse ensinamento é grande, é uma imensidão, é o nome de todos os mestres e todos os budas.

Quando nos voltamos para Kanzeon estamos novamente nos tornando um. Na China, sua representação de bodisatva é feminina. Mas, no Japão, Kanzeon não é homem nem mulher. Está além das diferenças. Mas, no meio da escalada, ainda temos uma parte da montanha para subir. Como unir esforços para continuar a jornada? Como retornar à alegria, na aventura de estarmos juntos? Seshim é uma aventura. Embora nele surjam situações que parecem contraditórias é alegria, dificuldade, disciplina, liberdade é, todas as supostas oposições devem ser reunidas.
às vezes erguemos a cabeça para a imensidão e beleza ao nosso redor, às vezes olhamos para baixo, para nossa infelicidade. Tudo bem, perfeito, não precisamos olhar apenas por um dos lados, o do seshim simplesmente maravilhoso, pois o seshim é tudo que surge, bons e maus momentos, realidade, ilusões.

Temos de compartilhar isso com todos.

* Zuymyo Joshin Sensei é mestra zen da linhagem Soto, superiora do templo "La Demeure Sans Limites" Riou la Selle, St.Agrève, França. Desenvolve atividades regulares junto às sangas de Montevidéu, Buenos Aires e ao Sangen Dojo de Porto Alegre.

domingo, 6 de janeiro de 2008

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Há dez anos, quando a educadora Mônica Peralta iniciou sua preparação para a Maratona de Nova York, realizou vários treinos no Horto Florestal, em São Paulo. À medida que as distâncias dos treinos foram aumentando, ela passou a descobrir novos caminhos. E um deles ela vem compartilhando com seus amigos, alunos e monges. É o Parque Estadual da Cantareira, no núcleo Pedra Grande. Um patrimônio mundial de preservação desde 1994, por determinação da UNESCO – Organização das Nações Unidas, que é uma das maiores áreas de mata tropical nativa do mundo situadas dentro da região metropolitana.

7h30 da manhã. Sexto dia de janeiro de 2008. Enquanto aguardávamos a abertura do parque, às 8 horas, fomos recepcionados por um tucano solitário que cantava no topo de uma árvore e um esquilo, que despertou a curiosidade dos filhos do Beto, que saíram correndo para observá-lo. Assim que a Mônica chegou, saldou a aniversariante do dia, a professora-doutora Elbia Silva Melo, da CCEE, que resolveu festejar esse dia de um modo especial. Acompanhada de seu marido e corredor, Leonardo Melo, integrou-se ao grupo de quinze pessoas que iniciaram a caminhada de 12 quilômetros no Parque Estadual da Cantareira. Duas dessas pessoas deram um show de vitalidade, sempre à frente do grupo. A Darci dos Santos e o Antonio, pai da Estela Silva, jornalista e autora do texto sobre a São Silvestre que se encontra no site. O nosso guia pelo segundo ano consecutivo era o Egídio Gonçalves, profundo conhecedor da reserva. Sempre prestativo e atencioso, observava cada um dos caminhantes. A cada novidade do caminho parava para contemplar a vegetação típica de floresta tropical, contemplar os bugios se divertindo, pulando de galho em galho. Depois de duas horas por trilhas de mata cerrada, subida, descida e tombos, chegamos ao lago das carpas. A Patrícia Vismara e as crianças foram os que mais se divertiram, jogando pão para os peixes. Já os adultos, mortos de fome, devoraram a farta cesta de piquenique que o Beto carregou por todo caminho. O que para ele foi um alívio. Bem alimentados, estávamos prontos para a última e mais dura etapa do caminho: chegar ao topo da montanha. A 1.010 metros de altitude em relação ao nível do mar, chegamos à Pedra Grande. Pausa para contemplarmos a belíssima visão panorâmica da Grande São Paulo.
Em determinado trecho da caminhada, pedimos licença à Mônica para deixar o grupo para uma corridinha na trilha das águas claras. O Nilton Maia e eu percorremos a trilha até chegarmos a uma queda dágua. Tudo isso para que pudesse fechar a semana com 70 quilômetros nos seis primeiros dias do ano. Foram mais de quatro horas de caminhada, onde pudemos compartilhar emoções, alegrias, esforço, conhecimento, sabedoria, amizade, energia e o principal: a natureza.

Wanderlei de Oliveira

Perdi o medo da Brigadeiro

por Estela Silva*

Sempre tive uma boa relação com a Brigadeiro. Tanto que moro a duas quadras dela, passo por ela diariamente, a pé ou de carro. Mas nunca pensei em subi-la correndo, inteirinha, sem parar, como fazem os atletas que participam da São Silvestre. Nem pensar.

Acompanho a São Silvestre desde criança. Um charme essa competição que atrai gente do mundo inteiro para fechar o ano em grande estilo. Um dia vou participar, mas preciso treinar antes. Perdi a inscrição de 2006. Que raiva! Ano que vem não escapa. Fiquei atenta e fui uma das primeiras a garantir um lugar na prova de 2007.

A cidade toda estava ali, na Paulista, para correr ou para assistir à São Silvestre. Parecia uma festa: pessoas conversando, bebendo, rindo, encontrando amigos, fantasiadas para se diferenciar. Entrei no clima e corri com a Midori, para continuar tendo companhia na festa.

Na largada, deu tempo de conter o nervosismo, já que nem dava para correr. Foi meu aquecimento, e no caminho os vestígios de que ali realmente tinha acontecido uma festa: copos, garrafas, pedaços de roupas, restos de comida, um pé de chinelo e muito lixo. Tudo bem, no dia seguinte o pessoal da limpeza urbana dá um jeito.

Fui marcando o tempo, o primeiro quilômetro não vinha, nem o segundo, nem o terceiro.... só no sexto vi a marcação. Já fiquei perdida no meu ritmo. Segundo problema: sede. Naquele calor senegalês, a água só foi oferecida no quarto quilômetro. E quente! Fazer o quê, melhor que desmaiar. Quem está na corrida é para correr e não para passar mal.

Na metade do percurso, lá na avenida Pacaembu, me deu um certo cansaço. Pensei em desistir, o calor e toda aquela gente amontoada correndo estava me fazendo mal. Sorte que logo veio um posto de hidratação e entrei em cena com o meu power gel. Deu uma animada, a Midori não deu sinais de cansaço e me reanimei.

Antes mesmo de chegar à famigerada Brigadeiro, no Largo São Francisco, os corredores começaram a gritar. Brigadeiro!!! Brigadeiro!!!! Acho que eles estavam chamando por ela ou queriam comer brigadeiro para agüentar a subida de 2 quilômetros. Me enchi de coragem, engatei a segunda e fui sem pensar. No mesmo ritmo. Quando eu percebi, já estava a duas quadras da Paulista. Consegui um pequeno sprint para alcançar a chegada com a marca de 1hora e 27 minutos. A festa não tinha acabado, mas a Brigadeiro sim. Perdi o medo dela.

* Estela Silva é jornalista e correu pela primeira vez a São Silvestre

Foto: Estela e Midori ao final da prova

sábado, 5 de janeiro de 2008

Dor de treino se cura com treino

Essa é uma das máximas do professor Valdir José Barbanti. Natural de Itapira, interior de São Paulo, ele foi um dos grandes atletas nos anos 70 no decatlo, prova exclusiva para homens. No primeiro dia eles competem nos 100 metros rasos, salto em distância, lançamento de peso, salto em altura e 400 metros rasos. No segundo dia, os 110 metros com barreiras, lançamento de disco, salto com vara, lançamento de dardo e para terminar os 1.500 metros rasos. O atleta vencedor é o que soma o maior número de pontos ao final da competição. Como bom educador e atleta, é possível encontrá-lo treinando diariamente no Esporte Clube Pinheiros ou no Campus da USP, onde é Professor Titular da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo. Valdir Barbanti é o primeiro PhD em Educação Física pela University of Iowa, nos Estados Unidos ,e preparador físico da seleção brasileira masculina de basquete.

6h18 da manhã. Quinto dia de janeiro de 2008. Chovendo. Como não sou hidrossolúvel, inicio o treino bem devagar, como sempre. Às 7 horas da manhã entro na reserva florestal do Parque do Estado, em São Paulo. Vejo um sabiá brincando em uma poça d´água o que me faz lembrar de um trecho da “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias (1823-1864), poeta maranhense, jornalista, defensor da ecologia, que dizia “Minha terra tem Palmeiras, onde canta o Sabiá”. Logo adiante, na escura mata, devido à chuva, encontro um jacu, pássaro em extinção. Jacu também é um termo usado pelo caipira quando se refere a um sujeito envergonhado. Minutos depois, ainda na mata, vejo o Dodô. Aproveitamos o silêncio da floresta, para filosofar e traçar os objetivos para 2008.
Esquecemos o tempo e corremos 18 quilômetros. Já são 68 quilômetros nos cinco primeiros dias do ano.
A recompensa. Um belo copo de chá de abacaxi preparado pela Patrícia Vismara, receita da Mariana Carraro, quando o jornalista e corredor Vicent Sobrinho nos convidou para um rico jantar em seu apartamento para degustar um saboroso salmão grelhado, acompanhado de um delicioso vinho francês.

Wanderlei de Oliveira

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Economize Energia

6 horas da manhã. Quarto dia de janeiro de 2008. Pista de Atletismo do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, Ibirapuera, São Paulo. Pontualmente, a maratonista e educadora Mônica Peralta inicia os alongamentos para o primeiro treino de “técnica de corrida” da fase de preparação básica. Até hoje já são 50 quilômetros corridos. Apesar da pouca distância de rodagem, saímos tão exaustos como se tivéssemos corrido os 15 km da São Silvestre.
A corrida é uma das modalidades esportivas mais simples e naturais, porém ela, como esporte em si, requer alguma atenção quanto aos movimentos cíclicos e locomoção do corpo de forma coordenada e ritmada. Na biomecânica do movimento, a corrida possui duas fases distintas, que são:

Apoio – contato do pé com o solo
Suspensão – elevação e projeção do corpo para a frente

Mas há um momento entre essas duas fases em que o corpo permanece no ar sem contato com o solo. Assim podemos definir a corrida como uma sucessão de saltos.
Os exercícios de biomecânica podem auxiliá-lo a melhorar a técnica de corrida e, conseqüentemente, melhorar a performance, sem que para isso você gaste energia desnecessária. Selecionamos três dos principais exercícios que podem ser úteis. Eis a seqüência:

Elevação dos joelhos (skipping alto) - faça 50 metros levantando os joelhos até a altura da cintura, com os braços perpendiculares ao corpo e num ângulo de 90 graus. Os movimentos devem ser ritmados e realizados com muita calma, concentrando-se na execução técnica dos movimentos. O toque no solo deverá ser executado com a ponta dos pés, os braços devem ser movimentados paralelos ao corpo, em forma de pêndulo (permanecendo num ângulo de 90 graus). Durante a execução do exercício, a cabeça deve permanecer no prolongamento do corpo, o olhar direcionado para frente, os músculos do rosto e pescoço devem estar descontraídos (assim como todos os membros do corpo). As mãos devem ficar semi-abertas e relaxadas (como na caminhada).

Elevação dos calcanhares (skipping atrás) - repita o movimento anterior, mas dessa vez encostando os calcanhares nos glúteos. Neste exercício o corpo deve estar ligeiramente inclinado para a frente para facilitar o movimento técnico e deslocação (lembre-se de que são exercícios direcionados para a corrida e não para o futebol, em que a cada elevação dos calcanhares há um toque das mãos atrás). Os braços continuam na posição de semiflexionados num ângulo de 90 graus, e os movimentos paralelos ao corpo (balanço para a frente e para trás)

Amplitude de passadas (stride) – neste exercício, unimos os trabalhos de técnica anteriores, ou seja, correr 100 metros de forma natural dividido em 2 vezes 50 metros, sendo a primeira metade com ênfase na amplitude de passadas, elevando os joelhos e projetando o quadril para a frente, com ação enérgica dos braços. Na puxada para trás, as pernas devem fazer o movimento cíclico (calcanhares próximos aos glúteos).
Nos 50 metros seguintes, a corrida deve ser em progressão (a velocidade do esforço cerca de 80% do máximo. Lembre-se de que aceleração não quer dizer velocidade máxima). O objetivo principal deste exercício é concentrar-se na técnica (sincronismo). O toque dos pés no solo deve ser rápido, com projeção do corpo para a frente.

Vale lembrar que cada distância exige técnicas diferentes. Por exemplo, a forma de correr de um atleta especialista em 100 metros rasos difere de um corredor de maratona (42.195 metros, prova de longa distância do atletismo). Porém, o ponto em comum entre os dois é a necessidade de possuir uma técnica de corrida eficiente (biomecânica), em que se gaste o menos possível de energia e haja conseqüentemente um melhor deslocamento para a frente.

Wanderlei de Oliveira

Caminhada ZEN - RUN FOR LIFE

Convidamos a todos (amigos, familiares) para uma caminhada Zen neste primeiro domingo de 2008 (dia 06).
Nós nos encontraremos às 7h30 (para uma sessão de alongamentos) no Parque Estadual da Cantareira (núcleo Pedra Grande), na Rua do Horto, 1799 (6231-8555 ramal 2154/2155).
Vá de bermuda, tênis, leve uma garrafa d´água, mochila, frutas e lanche. Vale também levar uma máquina fotográfica. O percurso ida e volta tem a duração aproximada de 3 horas.

Pedra Grande
O Núcleo Pedra Grande faz parte do Parque Estadual da Cantareira, que é uma das maiores áreas de mata tropical nativa do mundo situadas dentro da região metropolitana. Na Pedra Grande, teremos uma visão panorâmica da Grande São Paulo a 1.010 metros de altitude.
Mais informações do site http://www.iflorestsp.br/cantareira/

Como chegar: Acesso pela marginal Tietê até a Av. Eng.º Caetano Álvares, (edifício do jornal "O Estado de São Paulo), seguindo pela av. Santa Ignês, av. Luís Carlos Gentille de Laet , no cruzamento entrar a esquerda seguindo a rua do Horto até o nº 1799 - zona norte da capital paulista.